#ParceirosdePropósito: Como desenvolver a cultura de aprendizagem?

Esse tema foi motivo que nos levou a convidar Conrado Schlochauer para uma das nossas lives do projeto #ParceirosdePropósito, mas o bate papo foi muito além do tema, ou melhor, muito mais a fundo nele.

Pra esquentar os motores nossa CEO Carol Manciola perguntou ao Conrado sua opinião sobre o tal Homeschooling, o desafio que muitos pais estão vivenciando nesse período de quarentena.

Para Conrado, é preciso focar na parte boa da história. Quanto mais próximo da realidade e mais simples for a condução melhor será para a criança e para o professor. Um das coisas que nos confortou na sua fala foi a questão de que existem muitas coisas relevantes que uma criança deve aprender e que isso inclui amarrar seus sapatos, fazer sua cama, ajudar nas tarefas e por ai… 
Com muitas famílias pressionadas pelo home office mais tarefas de casa mais estudos das crianças é preciso baixar as expectativas e focar nos aprendizados diários. É necessário reequilíbrio do tempo.

Migrando o bate papo para o aspecto mais corporativo, foi perguntado ao Conrado uma geral sobre termos muito comentados no momento: lifelong learning, upskilling e reskilling.

O Lifelong learning é o Aprendizado ao longo da vida. Conrado explicou que, em 1970, a ONU e outras duas entidades identificaram que o mundo estava mudando rápido demais e que se as pessoas não aprendessem, elas teriam problemas vocacionais e sociais. Daí surgiu o lifelong education que depois mudou para learning, ou seja, aprendizagem. Nos últimos 10 anos, se tornou mais fácil aprender ao longo da vida e a necessidade de aprendizado ficou mais explicita para as pessoas.

Learning ON

Aprender é uma coisa natural da espécie humana.

Em relação ao Reskilling, o termo se refere à “requalificação”. Significa, essencialmente, aprender novas habilidades a fim de tornar-se apto a realizar um trabalho diferente. Já upskilling tem a ver com melhorias necessárias a determinada habilidade, ao “aprimoramento”, então diz respeito a se desenvolver no campo em que já possui certo domínio

Conrado também falou sobre como enxerga a preocupação excessiva em fornecer conteúdos que, muitas vezes, não se conectam as necessidade das pessoas. Aqui, em nossa opinião, chegamos ao ponto alto da Live quando ele trouxe a seguinte observação: As empresas deveriam se preocupar mais em dizer Porque Fazer do que Como Fazer. Se as pessoas têm clareza do propósito, do porque, elas buscarão alguns Comos.

Educação e aprendizagem são coisas diferentes: educação tem mais a ver com ensinar, o foco está no o que, no professor, o aprender é um processo mais individualizado. Para Conrado, aprendizagem é a explicitação de um conhecimento por meio de uma performance melhorada.

Por isso, o papel do RH é ser um facilitador do processo de aprendizagem e não apenas o provedor, como muitos se posicionam. O futuro da aprendizagem já deveria estar no presente e isso significa tratar adulto como adulto. As áreas de aprendizagem, ou universidade corporativas, precisam atuar promovendo conexões, ampliando a consciência.

Uma das coisas que muito discutimos aqui na Posiciona e que foi ótimo ouvir o Conrado falando é sobre as trilhas de aprendizagem. Elas pressupõem um caminho e classificam as pessoas. Além disso, muitas possuem pré-requisitos e a formação se dá ao final. O processo de aprendizagem é um jogo infinito, daqueles que não desejamos que acabe. Ele inclusive deu um exemplo bacana de substituir a trilha de aprendizagem por um portfólio de experiências que precisa ser revisado periodicamente para entender a efetividade.

Uma provocação que ele fez foi: o que é mais efetivo no trânsito? Um semáforo ou uma rotatória? O semáforo é temporizado, impede a passagem e atua no sistema de comando e controle. A rotatória é mais eficiente em termos de menos acidente e é pautada na confiança.

As empresas, por vezes, ficam tão focadas em mensurar, em garantir presença, em estimular a participação, que esquecem do principal que o que foi aprendido, qual o impacto daquilo nas pessoas e nos negócios.

Quando se fala em cultura de aprendizagem, segundo Conrado, não estamos falando de criar uma cultura de aprendizagem, mas de entender a cultura de aprendizagem instalada, desenhar o modelo ideal e fazer a migração. Para isso é preciso repensar a cultura, Redesenhar arquitetura de aprendizagem, Redesenhar a infraestrutura, Criar um portfólio de experiência pensando no indivíduo e, principalmente, cuidar da transferência de aprendizagem. 

Sobre uma visão mais pessoal sobre o processo de aprendizagem, a dica do Conrado foi: saia da tela. Ao invés de consumir tudo que aparece, foque no que você quer aprender. E isso não se trata de um tema, mas sobre o que você quer saber, no que você quer se aprimorar, que problema você quer resolver. O tema é o meio para resolver este problema.

A partir do objetivo, você define os temas e vai atrás de forma de aprender sobre aquilo. Existem 4 fontes de aprendizagem: Conteúdo, Experiência, Pessoas, Rede – explore essas fontes, experimente outras formas de aprender e, nos temas de maior interesse, escreva um resumo a mão. Ele te ajuda a fixar melhor.

Outro ponto importante é: não espere por um fim para começar a colocar em prática o que você aprendeu. É preciso movimento, troca, compartilhamento, testes.

Um grande resumo: Aprender é coisa da vida!

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