#ParceirosdePropósito: Mindset de Crescimento

Recebemos a Andrea Piscitelli, Consultora de RH, psicóloga, especialista em marketing, fundadora da Capta, palestrante e professora para falar sobre o tema “Mindset de Crescimento” que permeia de tudo que estamos falando desde do inicio dos encontros com os parceiros de propósito.

Falar de mindset de crescimento nesse momento de muitas transformações é super pertinente, pois sabemos que a mudança em si não é a questão, pois o mundo muda desde que o mundo é mundo.

O ponto desafiador desse cenário é a forma abrupta como a mudança vem acontecendo e fazendo com que as pessoas precisem se transformar, remodelar de uma hora para outra.

O coronavírus e isolamento social mexeram com todas as nossas relações, seja com os clientes, amigos, empresa e família, ou seja, mexeu com a vida.
Não tivemos tempo para ir assimilando a situação, estamos vivendo o dia a dia, como se estivéssemos trocando a turbina do avião em voo e em meio a tudo isso precisamos acreditar que somos pessoas capazes de fazer muitas coisas que ainda nem sabemos que podemos fazer.

Mas afinal, o que é o mindset de crescimento?

Tomando como Referência a Carol Dweck, o que nos dá legitimidade e propriedade para falar do assunto, Andrea nos alerta em um primeiro esclarecimento, de que, não existe alguém ser um mindset fixo ou de crescimento, nós não somos, apenas estamos em um estado ou outro de mentalidade, que inclusive é uma escolha consciente e diária que temos que renovar.

Quando falamos de Mindset, remetemos ao nosso cérebro e ao nosso instinto do dia a dia. A questão é, será o nosso cérebro é uma máquina de aprender ou de sobreviver?

Instintivamente e comprovadamente é de sobreviver.

Em um primeiro momento todos nós, independentemente do cenário ser bom ou ruim, de você ser um super empreendedor, ou não, você vai lutar pela sobrevivência e isso é parte do mindset fixo, é o que já está tachado, nessa hora eu entendo que a manutenção do status quo é a melhor coisa para garantir a minha sobrevivência.

Todas as crenças e afirmações que trazem algo pré-estabelecido me colocam nesse modo fixo, que é reativo e nada produtivo.

Essa é a hora, em que, se analiso o isolamento e o vejo como um problema, como falta de esperança e vitimização, estou no mindset fixo, porém, se ao contrário, eu abraço a incerteza e encaro a situação como momento de oportunidade para o cuidado com a saúde e aprendizagem, posso olhar para o isolamento e ver como algo que está me levando a fazer as coisas de forma diferente e a crescer.

Segundo Andrea, a forma como enxergo as questões e problemas muda tudo. As pessoas muitas vezes, acredita que elas são ou um mindset ou outro. Nas organizações os líderes precisam ajudar a equipe a trazer a consciência dessa percepção de que não são, mas apenas estão e ajudá-los a se movimentarem.

O líder, para atuar com o olhar de mindset de crescimento, precisa entender que a equipe está se esforçando para atuar em direção a melhor entrega e não apenas olhar o resultado final.

Segundo Carol Dweck, “O esforço deflagra a capacidade de alguém”
Nem sempre você consegue perceber sozinho que está no mindset fixo e o líder pode ser um aliado na busca dessa descoberta.

É preciso valorizar o esforço da equipe e o seu próprio, pois acreditar na possibilidade e entender o caminho do aprendizado é essencial. Precisamos sair do agora e olhar para o ainda não, quando esperamos algo de alguém ou de nós mesmos.

Como disse Mário Sérgio Cortella, “gente não nasce pronta e vai se gastando, gente nasce não pronta e vai se fazendo.” A partir dessa frase podemos entender que o fracasso é o momento do ainda não e que na jornada é a oportunidade para aprender baseada no esforço empregado.
Temos que ter a cultura do ainda não e descobrir quais são as crenças que trazem o nosso mindset de crescimento ou o fixo, para que nós mesmos possamos atuar.

Nesse ponto conectamos a teoria de Carol Dweck com a da Inteligência Emocional de Daniel Goleman, pois sem a resiliência emocional para entender que o esforço e o aprendizado vão te preparar para vida, você pode acabar desistindo diante dos desafios e fracassos.

O autoconhecimento nunca foi tão importante quanto agora. Primeiro vem a autoconsciência e depois a autogestão. É importante reforçar que Mindset de crescimento não tem a ver com idade e sim com mentalidade. Todos são capazes de aprender aquilo que faz sentido e assim de forma consciente o coloca em ação. Precisamos avaliar quando estamos nos vitimizando e buscando um salvador para permanecer no status quo.

Quando pensamos na liderança de forma remota, a dificuldade de liderar pode estar nesse olhar de que a equipe tem o mindset mais fixo para fazer a mudança acontecer. Dessa forma posso deixar de entender tudo aquilo que seria possível de ser modificado e adaptado pela equipe para esse momento.

O desafio está em como olho para o esforço e não apenas para o fracasso. Esse olhar está diretamente relacionado com a cultura organizacional, ou o ambiente que você cresceu e atua.

Quando o ambiente favorece uma atuação baseada no comando e controle e a necessidade fazer as coisas acontecerem com 100% de eficácia, não favorecemos o mindset de crescimento, pois neste ambiente não é permitido lidar com os erros fracassos, ou seja, o esforço é desconsiderado.
Muitos de nós crescemos em uma cultura de adequação ao que a sociedade, a família, os amigos querem e com isso você não tem espaço para o erro. Quando isso ocorre nas organizações e o líder não dá espaço para os questionamentos se estabelece como mentalidade de ação o mindeset fixo.

Quanto mais se busca a excelência menos você está aberto a originalidade. No mindset de crescimento você atinge sim a excelência, mas entende que o caminho para isso é o esforço e o aprender a olhar para os erros.

É preciso ter pessoas com um sentimento de inconformismo saudável, para quebrar esse status quo do mindset fixo. O líder precisa provocar a equipe, para que tenham um olhar de crescimento frente aos problemas e que pensem como poderão transformar em oportunidade.

Quanto mais treino minha mentalidade, melhor fico com uma atuação no mindset de crescimento.

Se não tenho autoconhecimento para ser honesto comigo mesmo, não me movo. É importante buscar a parceria de pessoas que te complementem nessa jornada, pessoas com as quais você possa por exemplo, fazer uma mentoria reversa.

Precisamos legitimar as nossas angústias e entender como podemos fazer, se esforçar para sair desse cenário. De que forma podemos ressignificar o que é a satisfação do que queremos alcançar?

Muitas vezes pensamos apenas no resultado final. A jornada precisa ser muito mais valorizado no processo de aprendizado, pois o tornar-se é muito melhor do que o atingir.

Como no livro o jogo do infinito de Simon Sinek, a vida é um jogo infinito, nunca acaba, todos os dias acordamos e pensamos qual será o novo desafio.
Ao ter a mentalidade do crescimento eu entendo que nesse momento de crise, posso ser digital e humano ao mesmo tempo e que é preciso se expor ao risco de errar, só assim passaremos pelo processo de aprendizado e assumiremos a responsabilidade com autoconsciência sobre nossa forma de agir.

O líder precisa começar a pensar em novos indicadores, que ajudem a equipe a atuar nesse mindset de crescimento. É importante lembrar que em um cenário de mudança apenas 20% do sucesso está na estruturar e processos e 80% nas pessoas.

Você precisa buscar aliados, que te acompanhem nessa jornada, precisa fazer o que é possível e assim você vai se aprimorando. É preciso ter a liberdade de se mostrar como ser humano. Como disse Peter Senge, “nesse momento o que nos une é a vulnerabilidade.”

Preciso olhar de forma positiva quando me sinto vulnerável, caso contrário, atuo no mindset fixo, ignorando os feedbacks e o que as pessoas falam sobre mim.

Nem toda critica será favorável, mas é preciso parar e pensar sobre ela, para analisar como estou lidando e o que estou fazendo para me modificar.
Precisamos nos conectar com nós mesmos, sair da atitude reativa e se colocar em ação, não é engolir os sapos e seguir em frente, mas sim identificá-los e entrar em movimento.

Estamos em um momento que voltaremos ao “novo normal” e precisaremos descobrir os caminhos de inspiração que fazem eco com nosso perfil.
Como disse Andrea Piscitelli, algumas ferramentas podem nos ajudar a identificar nossas principais forças de caráter.

Veja que não estamos falando de competência, mas sim sobre o que te coloca em estado de flow, onde o seu gasto de energia para fazer algo é baixo. Segundo essa ferramenta temos 24 virtudes humanas e ela apresenta as primeiras, as que estão no topo, como as que te ajudam a gastar menos energia, assim como as da base, que também são forças, mas que você precisa imprimir muita energia para trazer o resultado.

Em nosso site disponibilizamos o material para que você possa identificar o seu. Em um momento de crise preciso direcionar minha energia nas minhas forças do topo, se minha primeira força é o amor, por exemplo, e isso vai me ajudar nessa jornada, preciso saber o que posso fazer para me utilizar dessa força para ser produtiva e fazer acontecer.

Potencializo minha energia e vou atrás do ainda não, com a minhas maiores forças. Quando o nível de energia gasto é muito alto, muitas vezes me coloco no modo de sobrevivência e desisto no meio do caminho.
Preciso sempre fazer o peso da balança, se estou na máquina de sobreviver ou de aprender. Outra recomendação da Andrea é que façamos um teste para saber se estamos operando o mindset mais no fixo ou no crescimento, é como verificar no dia como estão os nossos pensamentos.

Esse teste é baseado na teoria da Carol Dwek e também está com o link disponível no site da Posiciona. A grande questão é, quando escolhemos fazer a virada da chave, o nosso cérebro responde com energia, tenho mais tônus, meu corpo reage a tudo isso.

Por fim, a Andrea nos presenteia com uma dica para conseguirmos ampliar a nossa autoconsciência e nos passa uma lição de casa para encararmos as oportunidades da vida.

Façam o seguinte:

Escolham 10 pessoas da sua rede, pessoas que você admire e que te conheçam. Pode ser de qualquer círculo de convivência e enviem um e-mail, WhatsApp com as seguintes questões.

Quais as palavras que traduzem o seu jeito de ser?

Qual a imagem que você passa no dia a dia quando surge um desafio ou problema?

Se tudo fosse possível e ele pudesse te dar um conselho para que você fosse mais feliz, qual seria?

Qual é a característica dele, que poderia ser compartilhada com você, para que possam aprendermos juntos nessa jornada?

Lembre-se que o mindset fixo não me deixa olhar o sucesso do outro, para que eu possa fazer o cruzamento das informações e me auto conhecer e segundo Carol Dweck, “Tornar-se é melhor do que ser”.

Referência de livros
Mindeset- Carol Dweck
Inteligência emocional – Daniel Goleman
Originais- Adam Grant

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