Você tem que… nada!

Acorde às 5h, tome banho gelado, invista na bolsa, seja foda, seja vulnerável, ligue o foda-se, faça amigos e influencie pessoas…É tanto modismo ditando o que é preciso ser e fazer para alcançar a felicidade, o sucesso e a plenitude que muita gente se sente pressionada por não dar conta de TER QUE ser (e fazer) tanta coisa. Não pire. Inspire e Respire, ou não. Esse artigo é uma opinião sincera de alguém que ACREDITA que você pode ser e fazer o que você quiser.

Eu adoro ouvir pessoas que vivem num contexto diferente do meu. É incrível como isso amplia meu olhar. Hoje eu estava conversando com uma amiga médica e ela me relatou sua percepção ao entrar numa livraria: “Como tá chato, né?”

Como assim? O que tá chato?, quis entender melhor.

“Desde que meus filhos nasceram frequento pouco livrarias sozinha. Quando tenho um tempinho gosto de circular pelos mais vendidos e sugestões da loja. Dessa vez fiquei impressionada com quanta coisa a gente tem que ser para ser feliz e ter sucesso, afinal é isso que todo mundo quer, né?”

Ri alto e dei razão a ela. Eu mesma estava há minutos lhe explicando os benefícios que acordar 1 hora antes da hora que tenho que acordar estava me fazendo bem. Comecei a ver as capas dos best sellers na minha frente:

  • Acorde às 5h
  • Tome banho gelado
  • Faça amigos e influencie pessoas
  • Invista na bolsa
  • Ligue o foda-se
  • Seja foda
  • Seja vulnerável
  • Coloque todas as regras em prática

É claro que tudo isso ainda tendo uma vida em equilíbrio, fazendo exercícios diariamente,  cultivando um casamento perfeito, trabalhando 18 horas por dia, dedicando-se infinitamente a seus filhos, viajando porque ‘felicidade é um passaporte cheio de carimbos’ e acompanhando Game Of Thrones (já acabou, né?).

Isso me lembrou um vídeo/desabafo que gravei há 2 anos numa série chamada “Terapia do Trânsito”.

É muita regra pra pouco resultado. É muita fórmula mágica pra pouco coelho na cartola.

Será mesmo que dá pra sintetizar todo sucesso de alguém em 12 passos? Será que os momentos desafiadores não são valorizados para dar aquele ar de superação e jornada de herói que as pessoas tanto aplaudem?  Será que alguém é capaz de criar uma fórmula universal capaz de impactar a vida de tantas pessoas? Será que é tão fácil como vendem que é? Será que o sacrifício vale mesmo a pena? Será que a gente TEM mesmo que ser, fazer e parecer tudo isso que tanta gente prega como a solução de todos os problemas?

Na boa, você não TEM que ser nada, mas você PODE ser muita coisa.

Quem me conhece sabe que sou fã de livros de autoajuda (e inclusive já li a maioria dos mais vendidos, afinal, além de tudo você TEM QUE ler um monte). Gosto de saber sobre as tais fórmulas, os passos infalíveis, e as regras de ouro, principalmente se elas são apresentadas por pessoas que eu admiro ou que conseguiram resultados expressivos no que se propuseram realizar. Faço isso porque acredito que quanto mais conheço sobre a vida (minha e dos outros), mais possibilidades de escolhas eu tenho.

Na minha percepção, a mudança acontece em etapas e as 3 primeiras delas são:

1.    Assumir o locus de controle interno: reconhecer que a sua atitude é responsável pelos seus resultados, afinal se você não tem influência sobre o que vive então para que tentar mudar?

2.    Sentir-se incomodado: achar que algo está ruim ou que poderia ser melhor, afinal se tudo está bom para que mudar?

3.    Enxergar possibilidades: reconhecer que existem outros caminhos, afinal se não existe alternativa então para que tentar mudar?

Por isso, é importante ter opções e testar, lembrando que aquilo que funciona para um nem sempre funciona para outro. Você escolhe uma possibilidade e implementa. Se funcionou você repete, não funcionou descarta. Mas você não tem a vida a toda para ficar “testando”, afinal se tem uma frase clichê que eu adoro é uma atribuída à Charles Chaplin que diz que “a vida não permite ensaios”.

A pois…

Você não TEM que nada, mas você PODE tudo.

Entenda seus limites e desafie-se a superá-los… ou não. Lembre-se: a vida é sua, só sua e ninguém tem nada a ver com isso, alguns dirão.

Felicidade é um objetivo? Para mim, não. Felicidade para mim é o caminho. É como me sinto e como escolho estar ao longo da jornada. Para ser feliz é preciso amar o que se tem, apender com tudo e manter um olhar sobre a vida muito mais contemplativo do que pragmático.

Sucesso é o objetivo? Sempre. Mas sucesso é algo que só você pode medir. Ter sucesso é alcançar algo que se desejou e sobre o qual sua responsabilidade é mais impactante do que a sorte (daquela que vem de graça, lembra? Se não, tem um artigo meu que fala sobre isso.)

Pense no que realmente importa, ou não. Siga as regras, ou não. Seja feliz, ou não. Seja você não.

Você não tem que nada? Na minha opinião quase nada, mas você TEM QUE duas coisas: 1. Tem que ter consciência sobre si e sobre o mundo ao seu redor e 2. Tem que lidar com o impacto de suas escolhas.

Por Carolina Manciola – Sócia-Diretora da Posiciona Educação & Desenvolvimento.

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